Artigo: Acupuntura como tratamento coadjuvante na síndrome talâmica: relato de caso

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Autores:

Alysson Bruno Oliveira Santos (I); Judymara Lauzi Gozzani, TSA (II)
(I) Especialista em Anestesiologia com Atuação na Área de Dor pela SBA; Especialista em Acupuntura pelo CMBA

(II) Doutora em Medicina pela Unifesp, Corresponsável do CET/SBA da SCSP; Coordenadora do Serviço de Dor da SCSP

RESUMO
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: As doenças cerebrovasculares são responsáveis por grande parte das mortes no mundo. Entre os sobreviventes, a maioria das sequelas limitantes encontradas nos pacientes é motora, mas quando vias ou centros sensitivos são afetados os pacientes podem evoluir com alterações de sensibilidade na região corpórea representada pela área encefálica atingida. Quando a região acometida relaciona-se com o tálamo pode ocorrer síndrome talâmica. O objetivo deste relato de caso foi demonstrar o uso da eletroacupuntura como coadjuvante no tratamento de dor central, diagnosticada como síndrome talâmica de difícil controle com tratamento farmacológico.

RELATO DO CASO: Paciente do sexo feminino, 46 anos, com história de acidente vascular encefálico isquêmico que acometeu região temporoparietal esquerda em abril de 2003, evoluiu com hemiparesia e hemitaxia à direita. Após um ano, iniciou-se quadro doloroso insidioso, contínuo, difuso em hemicorpo direito, acompanhado de alodínea e hiperalgesia, diagnosticado como síndrome talâmica. Em janeiro de 2006, deu entrada no serviço de terapia da dor e medicina paliativa da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e iniciou tratamento farmacológico com resposta ruim, sendo programada para abordagem neurofuncional. Em julho de 2009, propôs-se à paciente tratamento com eletroacupuntura na tentativa de melhor controle de quadro álgico. Foram realizadas sessões de eletroacupuntura em pontos em couro cabeludo e membros. Após a décima primeira sessão, a paciente encontrava-se com quadro álgico controlado, sem uso de opioides e amitriptilina tópica, sensação de bem-estar elevada, maior coordenação motora, diminuição global da dor, sendo completa em mão e face.

CONCLUSÕES: A eficácia da eletroacupuntura no controle do quadro álgico e no aumento do bem-estar encontra-se em concordância com estudos modernos, os quais demonstraram ativação de vias antinociceptivas encefálicas pela eletroacupuntura. Estudos clínicos prospectivos controlados são necessários para reafirmar e consolidar a eletroacupuntura como um importante instrumento no controle da dor central.

Unitermos: DOENÇA, Vascular: acidente vascular encefálico; DOR: Síndrome talâmica; TÉCNICAS ANALGÉSICAS: acupuntura, eletroacupuntura.

 

Fonte: Scielo.

Artigo: Pneumotórax pós-acupuntura: apresentação clínica e tratamento

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Resumo

TERRA, Ricardo Mingarini et al. Pneumotórax pós-acupuntura:apresentação clínica e tratamento. Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2007, vol.53, n.6, pp. 535-538. ISSN 0104-4230.  doi: 10.1590/S0104-42302007000600023.

OBJETIVOS: Apesar de raro, o pneumotórax é um evento adverso da acupuntura potencialmente grave. Visto sua baixa freqüência, apenas relatos de casos são disponíveis e faltam informações quanto os seus aspectos clínicos e terapêuticos. O objetivo deste trabalho é avaliar apresentação clínica, tratamento e evolução do pneumotórax pós-acupuntura. MÉTODOS: Análise retrospectiva de pacientes com pneumotórax pós-acupuntura tratados em hospital terciário no período 2001 2006. RESULTADOS: Cinco pacientes (Três homens e duas mulheres) com idade média de 46 anos (30 73) foram incluídos. Com exceção de um caso em que houve pneumotórax bilateral, em todos houve perfuração pleural à esquerda. Dor torácica foi o sintoma inicial em todos os pacientes, sendo intensa em três casos, levando a procura imediata por serviço de emergência; e leve em dois casos. Quatro pacientes foram tratados com drenagem pleural (três imediatamente após a admissão e uma após falha de tratamento conservador), devido à sintomatologia exuberante e/ou volume do pneumotórax, e um paciente foi tratado conservadoramente. Todos os pacientes apresentaram evolução clínica satisfatória após resolução do pneumotórax e, em seguimento de 6 meses após o evento, apresentavam-se assintomáticos e sem alterações significativas à radiografia de tórax. CONCLUSÃO: Dor torácica ocorreu em todos os casos, em intensidade variável; a drenagem pleural foi a terapêutica mais frequentemente instituída; e todos os casos evoluíram satisfatoriamente, sem complicações.

Palavras-chave : Terapia por acupuntura; Doença iatrogênica.

Fonte: Scielo.

 

PS: Alertamos que os internautas devem procurar sempre um especialista de sua confiança.

 

 

Osteoartrose de joelhos

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Osteoartrose de joelhos. Parte II: Evidências sobre abordagens não-medicamentosas.

In: Uso racional de medicamentos:temas selecionados. ISSN 1810-0791  Vol. 3, Nº 4Brasília, março de 2006. Lenita Wannmacher.

Resumo: Não há cura para a osteoartrose. A progressão da osteoartrose de joelho é a mais comum razão para substituição total desta articulação. Enquanto esta escolha não é feita, recomenda-se abordagem múltipla que envolve alternativas farmacológicas e não-farmacológicas. Os muitos medicamentos para dor e outras finalidades apresentam benefícios pequenos neste contexto. Por isso, uma abordagem holística e multidisciplinar vem sendo considerada como a estratégia mais conveniente. As abordagens não medicamentosas incluem as não-cirúrgicas (mudanças de estilo de vida, fisioterapia, hidroterapia, massoterapia e acupuntura) e as cirúrgicas (artroplastia e osteotomia). As primeiras também coadjuvam as medidas mais definitivas, sendo preferentemente instaladas no pós-operatório imediato para acelerar a reabilitação dos pacientes. Para escolher abordagens de alívio, é importante considerar que o paciente atinja um estado em se sinta bem, isto é, considere aceitáveis seus sintomas. Os pacientes reconhecem ser importante a melhora que os conduz a um estado que consideram como satisfatório. Para a escolha de abordagens cirúrgicas é importante determinar o momento da cirurgia eletiva por critérios de prioridades a serem consensuados pelo cirurgião e o paciente.

Alternativas não-medicamentosas: Abordagens não-cirúrgicas: Mudanças de estilo de vida, Dieta, Exercício, Uso de sapatos especiais, Programa de mudança comportamental, Fisioterapia, Hidroterapia, Massoterapia, Acupuntura, Uso de suportes e palmilhas (Vide Texto).

Abordagens cirúrgicas (Vide Texto).

Acupuntura: A acupuntura pode ser feita com agulhas, com ou sem estimulação elétrica. Não há evidência robusta de que acupuntura seja melhor do que acupuntura simulada (procedimento igual, porém com agulhas inseridas em locais que não são relevantes para tratar dor).

Revisão sistemática de 18 ensaios (n= 1.800 pacientes) comparou acupuntura com e sem estimulação elétrica a acupuntura simulada, placebo ou outras intervenções como controle. Dez estudos testaram acupuntura manual e oito, eletro-acupuntura. Maior redução de dor ocorreu nos grupos de acupuntura em relação aos controles em 10 estudos. Acupuntura verdadeira foi comparada à acupuntura simulada em 3 estudos (n= 329 pacientes com osteoartrose de joelho). Metanálise dos dados homogêneos mostrou pequena, mas significativa, diferença favorecendo a acupuntura verdadeira (P= 0,04). A mesma comparação feita com eletro-acupuntura (2 ensaios, com 260 pacientes) mostrou significância estatística, mas não clínica. A heterogeneidade desses 2 estudos não permitiu uma expressiva metanálise. Como a acupuntura tem aceitável perfil de segurança, constitui uma opção válida no tratamento da dor da osteoartrose periférica.

Outro ensaio clínico randomizado comparou o resultado de 15 sessões de acupuntura num período de 3 meses em 357 pacientes com osteoartrose de joelho ou quadril ao de um grupo controle (355 pacientes) que só recebeu atendimento médico, sem acupuntura. Os sintomas (dor crônica) e a qualidade de vida melhoraram pronunciadamente no grupo da acupuntura versus o grupo controle (P < 0.001), perdurando o benefício ao longo de 6 meses.

Ensaio clínico randomizou 1007 pacientes com osteoartrose de joelho e dor por pelo menos 6 meses para receber acupuntura, acupuntura simulada (agulhas inseridas superficialmente, em pontos não adequados à acupuntura para dor) e terapia conservadora (fisioterapia e AINE). As taxas de sucesso foram, respectivamente, 53,1%, 51,0% e 29,1%. Não houve diferença entre acupunturas verdadeira e simulada (RR=1,01; IC95%: 0,87-1,17).

Os autores sugerem que isso pode dever-se a efeito placebo, diferenças de intensidade de contato entre paciente e provedor de cuidado ou efeito fisiológico da punção, não associado aos princípios da acupuntura. Em outro estudo, a acupuntura verdadeira, em comparação à simulada e à educação dos pacientes, mostrou-se superior na melhoria de função em 8 semanas (P = 0,01), mas não em relação a dor (P = 0,18) e avaliação global do paciente (P > 0,2). Ao fim de 26 semanas, o benefício da acupuntura verdadeira foi significativamente maior do que o da acupuntura simulada em todos os desfechos: escores de função (diferença média:- 2,5; IC95%: -4,7 a -0.4; P = 0,01), de dor (diferença média:- 0,87; IC95%: -1,58 a -0,16; P = 0,003) e de avaliação global do paciente (diferença média: 0,26; IC95%: 0,07 – 0,45; P = 0,02). Ao fim de 26 semanas, a adesão dos pacientes foi maior nos grupos de acupuntura do que nos que receberam somente educação para controle do problema.

Nova comparação entre acupuntura e acupuntura simulada, com diclofenaco nos dois braços do estudo, mostrou superioridade da acupuntura verdadeira em melhorar atividade funcional, dor, capacidade física e funcionamento emocional.

Conclusões

* No manejo da OA de joelhos deve-se privilegiar uma abordagem holística e multidisciplinar.

* Há correlação linear positiva entre redução de peso e melhora sintomática da condição.

* Exercício que aumente a força do quadríceps parece ser melhor na recuperação de função articular.

* Dieta para perda de peso coadjuvada por exercício alcança maiores resultados do que dieta ou exercício isoladamente.

* Sapatos de quaisquer tipos causam aumento de forças aplicadas às articulações, tanto em homens como em mulheres, quando comparados a pés descalços. Em mulheres, saltos altos e grossos são mais deletérios ao compartimento medial dos joelhos, mas mesmo saltos que não excedem 3,8 cm causam maior sobrecarga aos joelhos. Para mulheres que já têm OA de joelhos ficam contra-indicados sapatos de saltos altos.

* Programas de educação ao paciente e fisioterapia têm modesta influência, se tanto, sobre o bem-estar de pacientes com OA.* A fisioterapia tem resultados modestos no tratamento conservador da OA de joelho e na reabilitação precoce da artroscopia.* A hidroterapia produz benefício pequeno e transitório.

* Não se definiu o valor da massagem na AO de joelhos por se encontrar apenas um pequeno estudo que avaliou tal opção terapêutica.

* Acupuntura melhora a dor e a função articular na OA de joelhos quando comparada a acupuntura simulada e a programa de educação do paciente.

* Órteses mostram discretos resultados na melhoria sintomática de OA de joelhos.

* Procedimentos cirúrgicos são considerados em casos de falha com tratamento conservador e quando há progressão da doença. A seleção dos pacientes e o estabelecimento de critérios de prioridade para sua realização são premissas para o sucesso dessa abordagem. Os resultados são satisfatórios e duradouros.

 

 

Fonte: Ministério da Saúde.

© Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde – Brasil, 2006.

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